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Fórum Social Mundial | 27/01/2010 09:00

Lula no FSM: momento político na América Latina consolida a democracia

O presidente Lula fez um balanço de seus oito anos de governo e da relação com as organizações sociais ligadas ao processo FSM, ontem (26/1) no gigantinho.

Fonte: Geraldo Muzykant - STIMMMEC


No evento que contou com cerca de 7 mil participantes o presidente foi questionado pelos representantes dos Movimentos Sociais sobre as questões da democracia, do Haiti, da crise ambiental e sobre direitos humanos.

O que era para ser um diálogo virou um monólogo após as intervenções dos representantes dos movimentos sociais, Artur Henrique da CUT, Lilian Celiberti da Articulación Feminista Marcosur (Uruguai) e por Candido Grzybowski – IBASE (Brasil)


O ginásio Gigantinho estava lotado na noite de terça-feira, 26, para ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa atividade do Fórum Social Mundial. Com gritos de “Olê, olê, olá, Lula” e “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, a multidão recebeu o presidente por volta das 20h30min.

Em seu discurso, Lula lembrou sua participação no FSM de 2003, quando recém havia tomado posse como presidente da república e fez uma avaliação dos 10 anos do evento para o Brasil e a América Latina: “Passaram 10 anos e o Fórum continua intacto, mais maduro, mais calejado, mais ciente das dificuldades”. Para o presidente o momento político que vive a América Latina é excepcional e consolida a democracia no continente.

Lula criticou o Fórum Econômico de Davos, afirmando que eles não previam a crise econômica mundial “Estou aqui e daqui vou pra Davos outra vez, igual a 2003. E tenho consciência de que Davos já não tem o glamour que eles achavam que tinham em 2003”, declarou em meio às palmas da multidão.

A participação na conferência de Copenhagen também foi lembrada pelo presidente e falou sobre o terremoto no Haiti e a Força de Paz para Estabilização do Haiti, liderada pelo Brasil. “Que esse terremoto mexa com a vergonha dos seres humanos que governam esse planeta, para a gente fazer no Haiti, agora, o que poderíamos ter feito a dez anos atrás. O Brasil fará sua parte”, afirmou, sugerindo que cada participante do FSM dedique um ano de solidariedade ao Haiti. Lula visitará o país no dia 25 de fevereiro.

O presidente falou ainda sobre a realização de conferências durante seus dois mandatos como presidente. “Na Conferência Nacional de Comunicação boa parte do empresariado não quis participar e ainda assim conseguimos realizar a conferência com milhões de pensamentos diferentes e debater um assunto que sempre foi restrito”, disse. Por fim, ele afirmou que "democracia não é um pacto de silêncio, mas, sim, o direito de se manifestar como acontece nas conferências e aqui no FSM”, finalizou.

Unidade dos movimentos sociais

Antes do pronunciamento de Lula, a atividade contou com a participação do presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, e da líder de esquerda uruguaia, Lilian Celiberti.

Arthur Henrique acredita que o FSM foi responsável pela unidade dos movimentos sociais que elegeram o Lula em 2002 e pelo atual contexto político da América Latina. “O FSM nasceu lutando contra o imperialismo, a ALCA, o neoliberalismo e nesses 10 anos conseguiu unir a diversidade”, avaliou. Para ele, a crise econômica mostrou como o capitalismo é falho.

O dirigente divulgou a atividade da CUT no Congresso Nacional, no próximo dia 02, pela redução da jornada de trabalho sem a redução de salário. Assunto que ele classificou como fundamental para a construção de um novo modelo de desenvolvimento. “Temos o desafio de construir em conjunto um desenvolvimento sustentável, uma mudança no padrão de produção e de consumo e isso passa pela redução da jornada”, acredita.

O golpe em Honduras e a criminalização dos movimentos sociais no Brasil são exemplos de que ainda há inúmeros desafios para o movimento. “É nossa responsabilidade construir a unidade e possibilitar processos de mobilização para que o Brasil continue a mudança que está em curso”, finalizou.

Após, em espanhol, Lilian Celiberti saudou os participantes do Fórum e os definiu como “o povo da esperança”. Para ela, a mudança no sistema econômico é uma obra coletiva: “isso é uma luta de todos. Não queremos o racismo, a homofobia, o sexismo. Não queremos a criminalização dos movimentos sociais, pois sem eles, a democracia seria uma tumba”, declarou.

Lilian falou ainda da importância do Fórum Social Mundial para a união da diversidade e na construção de um outro mundo. “Nós somos a esperança dessa mudança”, encerrou.

O evento, acompanhado por ministros, governadores, deputados federais e estaduais e prefeitos da região, terminou por volta das 22h.

Veja o que escreveram os principais veículos de comunicação do país

UOL
Em Davos, Lula vai “jogar na cara” dos ricos a crise e a tragédia do Haiti


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje durante o Fórum Social Mundial que irá ao Fórum Econômico de Davos (Suíça) e vai "jogar na cara dos países mais ricos" a crise financeira e o "abandono" do Haiti.

"Vou a Davos como em 2003, com orgulho do que tenho que dizer e mostrar (...) e com a missão de dizer que se o mundo desenvolvido tivesse feito a lição de casa na economia, não teríamos tido crise", afirmou Lula em discurso realizado perante aproximadamente 10 mil participantes do Fórum Social em Porto Alegre.

Como fez em 2003, pouco após assumir a Presidência pela primeira vez, Lula participou antes da reunião Social e amanhã viaja para Davos, onde receberá do Fórum Econômico a primeira edição do prêmio de "Estadista Global".

G1
Lula diz que Fórum de Davos perdeu o ‘glamour’ após a crise


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afagou o ego dos participantes da 10ª edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), ao dizer que o Fórum Econômico Mundial, de Davos, na Suiça, perdeu o “glamour” depois da crise financeira internacional.

“Estou aqui e daqui vou para Davos, como fiz em 2003. Tenho consciência que Davos não tem mais o glamour que eles pensavam que tinham em 2003. O sistema financiero não pode mais desfilar como sendo modelo de gerenciamento, porque acabou de causar a maior crise todos os tempos por incapacidade gerencial”, discursou.

O presidente afirmou que vai participar das discussões em Davois com “orgulho de quem tem para dizer que se em 2003 o grande medo era que o Lula não tinha como administrar o país e montar o governo, vou lá com a humildade de um torneiro mecânico que mais construiu universidades nesse país”.

Ele lembrou ainda que quando participou do Fórum Social Mundial em 2003, sentiu angústia ao ver uma faixa estendida pedindo para o Brasil romper com o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Agora, não só não devemos, como eles nos devem US$ 14 bihões”, discursou.


Por: CUT - RS


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